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 III Brevet das Bandeiras BRM 1000km Audax São Paulo - relato

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ninocoutinho

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MensagemAssunto: III Brevet das Bandeiras BRM 1000km Audax São Paulo - relato   Seg Set 12, 2016 3:53 pm

Olá, pessoal.

Com largada neste feriado de 07 de setembro, deu-se a terceira edição do Brevet das Bandeiras, o audax de 1000km do Audax Randonneurs São Paulo.

Tentei-o pela segunda vez, e pela segunda vez bati na trave. Ou melhor, chutei bem pra fora Sad

A rota deste ano foi bem parecida com a do ano passado, com a diferença de largar de Mogi Mirim, e não de Holambra:

https://ridewithgps.com/routes/15561118

O circuito é pesado. Há poucos trechos de "alívio"; em geral, é sobe-e-desce constante. Tobogã atrás de tobogã. Nenhum subida particularmente íngreme, mas muitas subidas em terceira faixa, alguns trechos de serra e, no mais, o sobe-e-desce já mencionado: termina uma descida e já começa uma subida, e assim vai.

Apesar disso, fui confiante. Fiz progressos em relação ao ano passado. Mais preparado fisicamente, me sentindo melhor de subidas, e com algumas configurações mais adequadas no setup para uma prova tão longa na qual de tudo pode acontecer, sendo a principal, um ângulo não tão deitado do banco. Ano passado, estava a extremos 13 graus - me sentia bem assim, bem veloz, porém uma TEMPESTADE que nos pegou no meio do caminho me deixou completamente cego. Isso me fez ter que reduzir muito a velocidade, para avançar com o mínimo de segurança, e com tantas e tantas freadas ao longo de uns 100km, o meu freio traseiro que era ZERO chegou a, de fato, zero No . Com uns 330km rodados tive que abandonar, pois não tinha mais freio. Ainda levou uns meses pra eu "acreditar" que o melhor seria voltar o banco a uma posição mais conservadora, e hoje estou a uns 23 graus. Não perdi tanta velocidade, mas ganhei muito em visibilidade noturna, especialmente.

Enfim, saí da desistência do ano passado achando que eu tinha condições plenas de concluir a prova, mas que havia sido "sabotado" pela mãe natureza, que havia mandado esse toró brabo, e que no caso minha escolha de setup não tinha me privilegiado.

Já este ano, após abandonar de novo, saí achando que de fato ainda não tenho condição de superar um desafio como o brevet das bandeiras. Talvez algum outro 1000km ou até uma prova maior, mas menos dura. Vamos aos fatos:

Fui pra Mogi Mirim de carro (praticamente 10h de viagem) com o companheiro de pedal daqui de Itabira, o Thiago Reis. Já temos o costume de pedalar juntos e, mesmo ele de speed e eu de reclinada, conseguimos andar bem juntos. Em subidas eu dou uma forçada, ele dá uma aliviada, e em descidas ele cola no meu vácuo. Tínhamos o projeto de pedalar os 1000 todo junto, mesmo sabendo que em algum momento ou outro, por circunstâncias da prova, poderíamos nos separar.

Os 41 ciclistas largaram na quarta-feira, dia 07, pontualmente às 07 da manhã. Fomos indo bem, até encontrarmos um outro companheiro, com o pneu furado. Paramos para auxiliar e, enquanto isso, fomos ultrapassados por todos os outros:



Nessa foto são os três mineiros da prova. O Daniel, "dono" do furo, havia se atrapalhado com a organização das bagagens e mandou seu par de espátulas no drop bag pra Lins, onde só iria chegar de madrugada. Eu havia levado três espátulas, então deixei duas com ele, e ainda fiquei com a minha e com as duas do Thiago. Câmara trocada, seguimos os três juntos na rabeira da prova.

Apesar da parada pro furo, chegamos no PC1 de Pirassununga, no km 94, bem de tempo, às 10:55 - o PC fecharia 13:15. Não gastamos muito lá e seguimos pra Brotas. No caminho encontramos com o Silvio, um ciclista do Rio bastante conhecido dos reclineiros cariocas:



Ainda chegamos bem em Brotas, às 15:42, sendo que o PC fechava às 19:45. Ou seja, estávamos agora com 4 horas de folga! Almoçamos e seguimos pra Bauru aproximadamente uma hora depois.

Após alguns sobe-e-desce depois do PC de brotas, começa uma serrinha. São 5,5km a 4% de inclinação média. Gastamos 27 minutos pra vencê-la, e logo viria o pôr do sol:



À frente, o Aurélio, outro ciclista bem experiente, que acabou concluindo esse mil pela terceira vez.

Com a chegada da noite, começou o meu pesadelo pessoal. affraid

Na altura do km 230, numa descida em Jaú, senti meu pneu traseiro furar e sair do aro. Shocked . O Thiago vinha logo atrás de mim e quase rolou um acidente nada legal. Felizmente, integridade física preservada. Encostei a reclinada já nervoso, mas tentando me acalmar. Tentei fazer do jeito "correto": antes mesmo de tirar o pneu, tirar apenas a câmara, sem tirar a válvula do aro, e encher a câmara pra descobrir onde estava o furo e, assim, procurar melhor no pneu.

Primeiras bombadinhas e... legal, estava vazando ar pelo REMENDO. Um remendo que havia feito em janeiro. Essa foi a maior peça pregada pela zica do furo, até o final explico.

Assim, imaginei que era o remendo descolando. Passei muito brevemente a mão pelo pneu mas, como teria sido um vazamento, e não um furo causado por um objeto externo, apenas instalamos nova câmara, dei umas bombadas, fiquei meio encanado com a pressão, mas seguimos.

Logo à frente tinha uma rotatória com vários "serviços": restaurante, mcdonalds, burguer king... pedi que parássemos ali só pra eu comprar uma água, tomar uma coca e relaxar, pois já estava estressado. Assim fizemos.

Antes de voltar a pedalar, não estava satisfeito com a pressão do pneu. Bombeei, bombeei... Nunca chegava na pressão que queria. Tinha certeza de que estava vazando de alguma forma, mas tb desconfiado da minha própria mente... vai q estava tudo certo e eu q estava encanado?

Cerca de 3km depois, de novo o pneu sai do aro!! Olhei pro pneu e a câmara ainda estava cheia! Pensei: ou instalei muito mal o pneu, ou o pneu tá uma bosta.

Tentamos recolocar o pneu, enchendo direito e vigiando as beiradas. Não fiquei satisfeito com o tanto que o pneu estava se alojando nas paredes do aro. Parecia muito pouco. De modo que resolvi instalar o pneu reserva.

Instalamos o novo e... a câmara não enchia por nada! Essa hora, eu já quis desistir. Pedi que o Thiago seguisse q eu ia ficar num hotel ali em Jaú. Mas ele não deixou.

POhan, vamos olhar então direito isso. Desmontamos o pneu e... BIMBA! Tinha um aramezinho enfiado pela fita antifuro, que provavelmente FEZ A GRACINHA de furar a câmara EM CIMA DO REMENDO!!!

Tivéssemos percebido isso antes... Embarassed Embarassed

Enfim, desperdiçamos montagens e desmontagens, bombadas, desperdiçamos câmara e, o pior, desperdiçamos tempo... E nesse tempo q vc fica ocupado com isso, vc acaba deixando de se hidratar e de comer.

No total foram pelo menos 1h20min perdidos. Segui meio inseguro, e cansado, além de chateado, estressado, etc.

Dali pro próximo PC ainda teria 50km, e ao longo desses 50km fui percebendo que estava perdendo ritmo em relação ao companheiro. Ele estava melhor, nitidamente me esperando. Aquilo foi me deixando preocupado, achando que eu estava "mal".

Por fim, chegamos no PC de Bauru às 23:40, sendo que ele fechava às 02:00. Ou seja, as 4h de vantagem que havíamos colecionado até brotas tinham diminuído pra 2h20min.

Lá eu obriguei o Thiago a seguir sem mim, e optei por tirar um cochilo. Estava bem cansado, e serviria pra me reorganizar mentalmente, tb. Seria melhor descansar antes, do que seguir com sono nos próximos 104km até o próximo PC, madrugada a dentro.

Jantei, dormi, acordei, rotinas de banheiro feitas e, quando estava pronto pra sair, resolvi conferir a pressão do pneu com uma bomba de pé que estava por ali... OUTRO ERRO! A bomba era apenas pra bico grosso, não era reversível, e não percebi... Foi colocar na válvula e esvaziar o pneu todo de novo Mad Mad . Eu ando sempre com adaptador, mas havia esquecido-o na ocasião do primeiro furo. Enfim, enchi tudo na mão de novo... E parti às 01:50, 10 minutos antes do PC fechar.



Saí sozinho e comecei bem. Fui indo, indo, indo, pela Marechal Rondon, que é uma rodovia bem difícil de pedalar, muitas subidas e descidas e acostamento ruim, e de madrugada ela é bem depressiva, pois é muito vazia. O frio foi pegando MUITO, chegou a fazer 3 graus! Fiz uma parada num posto, comi uma empada, café e um energético, depois outra parada num Serviço de Atendimento ao Usuário, usei o banheiro e conversei um pouco com os funcionários. Disseram que ali não fazia esse frio, não, q estava atípico. Que beleza!! Perguntei tb se não ia parar de subir, e me disseram que eu estava chegando na cidade mais alta daquela região de SP, que era Presidente Alves. Outra beleza!! Tomara que comece a descer, depois, então!

O frio foi se estendeu até o amanhecer, claro, e depois de um tempo ainda não arredou. Quando clareou, a paisagem era de geada realmente:



E aí foi que comecei a não aguentar mais. Me sentia fraco, sem disposição pra encarar os próximos tobogãs, que agora eram visíveis de longe (de noite não dava pra ter ideia). O tempo estava apertado pra chegar no PC antes de fechar. Fui negociando comigo: encaro ou não encaro? Depois que eu chegasse no PC, ainda teria que encarar mais quase 100km até o outro PC, pra tentar recuperar o tempo perdido... Achei que sinceramente não valia a pena. Eu teria que recuperar muito pois uma hora eu precisaria dormir de verdade, pelo menos umas 2h. Decidi que não dava mais pra mim. Parei num último posto antes do PC e já avisei que tlvz até chegasse a tempo, no PC, mas que não iria seguir mesmo assim. Aí até fiz um esforço pra chegar DEPOIS de fechado, realmente, pra garantir que eu não faria a gracinha de seguir Razz .

Cheguei em Lins, no PC4, km 394, às 10h, meia hora atrasado. Ali tomei banho, comi e dormi, e passei de rotina de ciclista pra rotina de organização: esperar os ciclistas chegarem (o PC4 viraria PC6 horas depois), tentar cuidar minimamente deles, isso tudo enquanto vc vai ajeitando caronas pra te levar e levar outros desistentes. No mesmo lugar que desisti, desistiram outros dois, e depois mais uma, qndo virou PC6. É legal mudar o foco, acontece meio que automaticamente, vc tem um novo objetivo na prova e, mesmo que ajude pouco, é bem significativo pros ciclistas.

Um colega que estava de apoio levou minha bike e eu pro PC de Bauru, km 678. De lá fomos pro PC de Brotas, km 786. Ali deixei a bike no carro dele, e arranjei outra carona pra Mogi Mirim, onde peguei o carro do Thiago, que ainda estava na prova, e fui seguí-lo pelos próximos PCs.

No PC de Pirassununga, km 869, recuperei minha bicicleta e fui "útil" algumas vezes: fui à farmácia comprar hipoglós e dramin pra quem precisava, e emprestei um cabo de câmbio pra um ciclista que teve o seu cabo traseiro arrebentado. Também emprestei minha lanterna de cabeça pra quem teve a bateria do farol arriada, forneci comidinhas e tal...

Saí de lá tarde da madrugada, "vigiando" os ciclistas pela estrada. Passei no meu hotel em Mogi Mirim e dormi por duas horas. Acordei e rumei pra Holambra, onde seria o último PC, km 985, pra esperar alguns chegar ali de manhãzinha, entre 06 e 07h. E depois os seguir até a chegada em Mogi, no km 1013.

Dos 41 que largaram, foram 10 os desistentes. Obviamente fiquei e ainda estou chateado, mas não ponho culpa no furo, não, apesar de ele ter sido MALDITO Evil or Very Mad . Eu realmente não fui tão CASCA GROSSA como a galera que terminou; me faltou físico, me faltou equilíbrio emocional e tb me faltou "técnica" de mexer com pneu e câmara. Confesso que não costumo pedalar com muitos "revezes": em geral, quase tudo dá certo nos meus pedais e audaxes. Claro que sempre tem uma ou outra história de superação, mas em geral me safo de ter uma boa dose de "sorte". Quase nunca furo pneu e, por isso, acabo não tendo nem muita paciência, nem muita habilidade, quando acontece. O que eu deveria ter feito é não ter tentado ser tão rápido. Em casa, não por furar, mas por ter mania de trocar pneu de uma bike, colocar na outra, e tal, tenho costume sim de mexer em pneu. Só que faço BEEEM devagar. Como não tenho planos de tentar fazer mais rápido, o q eu deveria fazer é fazer devagar, tb, quando acontece na pista.

Por fim, aprendizados. Bora treinar mais pro ano que vem e aceitar melhor os contratempos que aparecem pelo caminho. geek

Eis o link pro minha pedalada no strava: https://www.strava.com/activities/707746093/
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Mordaz

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MensagemAssunto: Re: III Brevet das Bandeiras BRM 1000km Audax São Paulo - relato   Qua Set 14, 2016 11:14 pm

Parece que essas estradas de SP dão mais furos que em outros lugares.

Estranho (e perigoso!) esse negócio do pneu ficar saindo do aro. Taí uma vantagem dos aros "tubeless-ready": é bem difícil o pneu sair do aro. Dificulta trocas de câmara, mas dá segurança.

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ninocoutinho

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MensagemAssunto: Re: III Brevet das Bandeiras BRM 1000km Audax São Paulo - relato   Qui Set 15, 2016 3:17 pm

Mordaz escreveu:
Estranho (e perigoso!) esse negócio do pneu ficar saindo do aro.  Taí uma vantagem dos aros "tubeless-ready": é bem difícil o pneu sair do aro.  Dificulta trocas de câmara, mas dá segurança.

Era um Durano 700x28, de arame. Não comentei no relato mas fiz a porquice de deixá-lo por lá mesmo, pra não ter que improvisar um jeito de continuar trazendo na bike. A área do arame em si, enquanto manuseava na ocasião, estava me parecendo muito pequena, e já com alguns defeitos. Cheguei a me cortar com um pedaço que estava se soltando. Na própria Meta usei por quase 1,300km, mas já tinha comprado usado há muito tempo atrás.

O pneu que estava levando de reserva era um GP4000SII 700x25, que já tinha usado bem na Meta, e q havia tirado pq tinha achado que estava com uns rasgos meio significativos.

Devo colocar de volta um Grand Sport Extra 700x25, que usei apenas no 600 Floripa e nalguns treinos anteriores. Ele é mais lento e pesadão, mas é o único 700 que agora está "sobrando". Preferiria usar outro 700x28, gostei mais dessa medida, mas agora falta verba mesmo.

Estive levando esses pneus reserva assim, "escondido" entre o banco e a bolsa traseira (fiz no 600 floripa e nesse 1000):

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Mordaz

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MensagemAssunto: Re: III Brevet das Bandeiras BRM 1000km Audax São Paulo - relato   Qui Set 15, 2016 10:28 pm

No 300 de Holambra que a Leo fez, ela foi de Conti Gatorskin de 25mm. Acho que não teve furo; só "mordida de cobra" num buraco, já perto do final.

Esse mesmo pneu ainda está na bike. Fez até o PBP com ele!
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MensagemAssunto: Re: III Brevet das Bandeiras BRM 1000km Audax São Paulo - relato   Ter Out 18, 2016 10:44 am

Caro Nino, parabéns pelo relato e pela tentativa. De fato, o Bandeiras1000 é bem pesado, com uma altimetria maior que o próprio PBP, se não me falha a memória. Não posso dizer que seja um caso geral em SP, mas na região que moro o pessoal reclama bastante de furos por conta da farpa da cana de açúcar, especialmente na época da safra. Tenho rodado com um Rubena Flash 700x28 com excelente custoxbenefício, que até agora não me deixou na mão (~400km). Um abraço!
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MensagemAssunto: Re: III Brevet das Bandeiras BRM 1000km Audax São Paulo - relato   

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