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 Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?

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odailson



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MensagemAssunto: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Ter Fev 28, 2012 7:29 am

Quem acompanhava o Projeto Rodaslivres soube da desistencia do mesmo; o realizador Elcio Tenório em algumas postagens levantou a hipótese de que o modelo da bike(uma Zhorer EXD) poderia ser a possível culpada do baixo rendimento na aventura, até mesmo antes de iniciado o projeto alguns comentarios foram feitos de que a escolha pela reclinada era um erro e que ele não passaria do Brasil!! O que vcs acham? Quais os verdadeiros motivos da desistencia, além dos motivos pessoais??
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Mordaz

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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Ter Fev 28, 2012 2:41 pm

Li apenas os primeiros posts e não estava acompanhando. Em qual post ele alega ser a Zöhrer EXD responsável pelo fracasso?

Isso está me parecendo um caso clássico de "passo maior que as pernas".
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marcelo_montanhista

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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Ter Fev 28, 2012 7:14 pm

Pena que o Valdo faleceu! 60 e poucos anos viajando com uma reclinada de tração dianteira, bau, tudo pesando mais de 40kg e chegava a fazer 80-100km de estradas de chão num dia.
Se isso for rendimento baixo!
Concordo com a idéia: passo maior que a perna.
abs
marcelo
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Clebson Melo

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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Ter Fev 28, 2012 9:16 pm

Acompanhei o Projeto Rodas Livres (PRL) desde o início e li todos os posts além de algumas vezes trocar uma ou outra idéia com Élcio.

Em uma dos tópicos eu li que ele havia ouvido de alguém que a reclinada diminuiria o rendimento. E foi só! Em nenhum outro momento ele citou a reclinada como causa da desistência.

No final de 2011 um pouco antes de entrar no Paraguai ele passou a sentir dores nos ombros. Já havia feito uma cirurgia e tinha alguns pinos (me parece que em alguma vértebra da coluna, não lembro bem). Essas dores se tornaram muito fortes e aliado a isso, recebeu convites de amigos para passar o natal em São Paulo com os amigos e família.

Até então o PRL ia de vento em popa e Élcio estava hiper animado com tudo. Exceto as dores e um patrocínio perdido, nada mais havia que reclamar. Nas férias do PRL a mãe faleceu, noivou, a família recebeu uma casa q estava alugada e precisa de uma reforma e nosso ciclista não treinou nada. Além disso, bebeu umas cervas de final de ano, ou seja, seu condicionamento não se manteve.

Pelo que entendi, e a partir de agora vem minhas opiniões pessoais baseadas no que li, Élcio já retomou o PRL com muitos questionamentos na cabeça. Coisa do tipo:
- "porque eu estou fazendo isso mesmo? Tenho uma noiva, uma vida pra tocar, uma casa pra reformar e ainda tô me fudendo pedalando nesse baita sol ...!

Os últimos relatos já não apresentavam o mesmo ânimo dos pré-férias. O astral não era o mesmo e o cansaço era visível.

Élcio também havia idealizado o PRL como um cicloturismo bancado por patrocinadores e considerando ficar em pousadas e comer em restaurantes sempre que possível. Está errado? Claro que não. Foi a opção dele! Particularmente eu sou mais purista e embora respeite e apóie a iniciativa, pois essa foi uma opção dele, não vejo uma viagem cicloturística sem uma boa dose de aventura e um bom preparo psicológico para encarar o desconforto, pernoitar em barraca, ficar perdido no meio do nada e por aí vai. E se tratando de uma volta ao mundo, não tem como não trabalhar em qualquer coisa pelo meio do caminho, seja pra faturar uma grana, seja pra pagar uma estadia ou uma refeição. Creio que isso não foi bem o "procurado" por Élcio, embora tenha sido previsto.

De qualquer forma eu acho espetacular o que Élcio fez. Não é todo mundo que tem a coragem de largar a vida urbana e sair por aí de bike. Élcio ainda pedalou pouco mais de 2000 km. Conheceu lugares espetaculares, muitas pessoas bacanas e presenteou a todos os que acompanharam o PRL com seus relatos quase que diários sempre com fotos e muitas reportagens em vídeo.

Graças a Élcio conheço um pouco mais do que conhecia antes, como também tenho alguma idéia de como é uma cicloviagem. Algo que me estimula a realizar a minha (embora beeeeem mais curta).

Voltando a opção pela reclinada: acho que se fosse em uma bike normal talvez ele tivesse um pouco mais de desconforto. Mas isso somente o próprio Élcio pra responder.
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odailson



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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Qua Fev 29, 2012 9:09 pm

Mordaz escreveu:
Li apenas os primeiros posts e não estava acompanhando. Em qual post ele alega ser a Zöhrer EXD responsável pelo fracasso?

Isso está me parecendo um caso clássico de "passo maior que as pernas".

No post UMA BOA IDEIA , Elcio faz uma citaçao de que alguem, ainda no Brasil, falou sobre o baixo rendimento deste tipo de bicicleta ( que eu particularmente discordo, pois acompanhei tbem a aventura do Valdo com uma Cruzbike com um incrivel rendimento), teve um outro post mais atras que e feita uma citaçao parecida, mas nao me recordo qual!! Na realidade concordo com vcs, apesar de ser um gde feito o que ele realizou, o passo foi maior que as pernas!!
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Mordaz

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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Qui Mar 01, 2012 12:17 am

odailson escreveu:
Mordaz escreveu:
Li apenas os primeiros posts e não estava acompanhando. Em qual post ele alega ser a Zöhrer EXD responsável pelo fracasso?

Isso está me parecendo um caso clássico de "passo maior que as pernas".

No post UMA BOA IDEIA , Elcio faz uma citaçao de que alguem, ainda no Brasil, falou sobre o baixo rendimento deste tipo de bicicleta ( que eu particularmente discordo, pois acompanhei tbem a aventura do Valdo com uma Cruzbike com um incrivel rendimento), teve um outro post mais atras que e feita uma citaçao parecida, mas nao me recordo qual!! Na realidade concordo com vcs, apesar de ser um gde feito o que ele realizou, o passo foi maior que as pernas!!
Acabo de ler o tal post. Parece que foi "achismo" de alguém (que provavelmente nem experimentou uma reclinada) e ele apenas supôs que uma bicicleta convencional teria dado mais rendimento. Para tirar a dúvida, ele deveria ter feito viagens menores antes de se aventurar a dar uma volta ao mundo.
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ninocoutinho

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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Qui Mar 01, 2012 8:44 am

Eu tb sou dos que acompanhou um pouquinho no início, depois larguei de vez. Agora gastei um tempo lendo os últimos posts. Acho q o q tira o cara duma empreitada dessas, não é o despreparo, as dificuldades ou o "passo maior q a perna": é o que o cara deixa pra trás, pra fazer isso tudo. O Clebson já falou tudo, e acho q o próprio Élcio não destacou essas coisas, suficientemente, em suas últimas postagens, mas sim, acabou mencionando algumas vezes:

Elcio Thenorio escreveu:
Nesta vida, há que se escolher… e cada decisão implica em abdicar de alguma outra coisa.

Aliás, a este respeito concluo deixando aqui um conselho a futuros cicloturistas que porventura venham, como eu, a ser convidados a retornar temporariamente à sua terra natal: se optarem por aceitar o convite, estejam preparados para um inesperado efeito colateral – a reconsideração. Ou seja, uma vez de volta a seu ambiente familiar, envolto em circunstâncias distintas daquelas que o levaram a optar a sair por aí, talvez você se sinta compelido a rever suas decisões… o que pode ser assaz prejudicial à sua aventura original.
Nesse sentido, acho mais do q saudável o abandono do projeto. Qnto a ser reclinado ou não, pura viagem, acredito q os efeitos colaterais com a EXD devem ter sido até menores do q se ele estivesse com uma touring convencional. Não seria a bike q eu escolheria, nem seria nenhuma das q eu tenho, mas claro q não é inadequada. Difícil tb pensar numa bike perfeita pra levar tanta bagagem. Só acho q tinha umas coisas meio mal acertadas: o tal pneu q rasgou num dos últimos dias, não sei qual era, mas definitivamente não era um pneu pra dar a volta ao mundo.

Qnto a não estar preparado, acho q na situação dele, mesmo uma pessoa bem preparada poderia perfeitamente querer abortar, tb. A dificuldade das pedaladas diárias e dos percalços pelo caminho é o que há de menos problemático, o pior é essa questão da reconsideração: "por quê?". Se um dia, lá atrás, ele achou q era uma ideia legal, agora não é mais, e não tem muito pq insistir em algo q perdeu o sentido.

Falando de alguém verdadeiramente experiente em cicloturismo, e em bicicleta, o André Pasqualini, direto já o vi, em seus escritos, falar sobre saudade, sobre esse questionamento de pq está fazendo aquilo, e tal. Até procurei um aqui pra ilustrar, referente a viagem dele pelo projeto Biomas, lá vai:

André Pasqualini escreveu:
Quando participei do Encontro de Cicloturismo em Santa Maria Madalena, tive contato mais próximo com grandes cicloturistas que deram a volta ao mundo ou realizaram grandes cicloviagens e a todos perguntei o quanto sofreram com a distância das pessoas queridas. Todos foram unânimes ao responder que sentiam saudades, mas nada que os fizessem sofrer.

Foi quando notei uma diferença fundamental entre minha viagem e a deles. Todos tinham por volta de 20 a 25 anos, não eram casados ou deixaram amores para trás. Nenhum tinham filhos e suas viagens foram motivadas apenas pela vontade de desbravar o mundo que assola 99 em cada 100 jovens.

Já a minha foi muito diferente, saí para pedalar em busca de um verdadeiro sentido para minha vida que naquele ponto era como se tivesse acabado. A bicicleta e o cicloturismo não passou de uma última esperança de viver, pois foram vários os momentos que achei que minha vida não tinha mais o menor sentido.

Principalmente pela saudade do meu filho e a sensação de que eu havia perdido para sempre. Saber que ele estava crescendo, vivendo longe de mim e que eu não poderia mais interferir em sua vida, que eu não era mais relevante para ele.
Como já disse, o próprio Elcio não valorizou muito em seus posts (pelo menos não encontrei) a morte da mãe, o noivado com a moça, ele comentou até bem mais sobre a reforma da casa q tinham herdado. Acho q essas coisas e muito mais q pesam na decisão, enquanto o cansaço, sol forte e dinheiro são só mais um fator desestimulante a continuar no projeto.

Eu, na minha atual situação, não sairia pra uma viagem de mais de 1000 km. Tenho vontade, e tenho até vários roteiros esboçados, mais sei q o bicho pega. Antigamente, nuns cursos q fazia, eu chegava a ficar 20 dias fora de casa tranquilo (o pior, em Brasília bounce !!), mais de uma vez por ano, mas não tinha propriamente uma "casa", nem alguém pra quem 'voltar' sempre... Hje em dia é raro eu planejar mais de uma semana fora. Qndo minha mulher faz isso, eu mesmo fico doidinho, sozinho em casa elephant !!

Qnto à grana, esqueci de comentar, como a gente gasta! Tem q mandar muito bem na auto-suficiência pra conseguir se safar de gastar muito (pagando o preço dos quilos extra), e qndo vc está na urgência, vc paga o preço q for. Sem contar q a gente naturalmente come muito mais, e tb bebe muito mais líquido. Em casa a gente toma água do filtro, mas na estrada vc está fatalmente comprando água aqui e ali... litros... aí junta o gasto com hospedagem... bem difícil conseguir economizar.

Enfim, sei lá qndo o Elcio vai decidir retomar algo parecido. Dou força pra q ele tentasse de novo, mas tb dou a maior força pra q ele não mais apronte algo parecido!! E q isso não seja um desestímulo, mas ele mesmo, agora sabe, o q vale a pena ou não.
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Clebson Melo

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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Qui Mar 01, 2012 12:39 pm

Caro Nino

Duas coisas chamou minha atenção em seu texto.

O pneu: eu tenho um pneu que acho ser o mesmo modelo/fabricante usado pelo Élcio. Ou bem parecido. Esse pneu tem o limite de 50 PSI. Lembro que li que Élcio havia calibrado com 60 PSI. Lembro bem pq eu já desconfiava que era o mesmo pneu e justamente por isso, eu troquei por um de 60 PSI. Certamente o excesso de pressão como também o peso e a rodagem o fizeram arrebentar.

André Pasqualini: tive a enorme satisfação de conhecer André e Luciana quando estiveram de férias aqui em Natal. Na época eu assinava a Bike One List sobre cicloturismo e de lá trocamos as primeiras idéias. Pelo que li no relato dele que vc citou, me parece que eles se separaram. É isso mesmo?
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ninocoutinho

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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Qui Mar 01, 2012 2:19 pm

Clebson Melo escreveu:
O pneu: eu tenho um pneu que acho ser o mesmo modelo/fabricante usado pelo Élcio. Ou bem parecido. Esse pneu tem o limite de 50 PSI. Lembro que li que Élcio havia calibrado com 60 PSI. Lembro bem pq eu já desconfiava que era o mesmo pneu e justamente por isso, eu troquei por um de 60 PSI. Certamente o excesso de pressão como também o peso e a rodagem o fizeram arrebentar.
Ele é Pirelli? Ou Kenda? Ou nada disso? Eu não acredito em nenhum pneu pra um cicloturismo tão extremo, q seja diferente dos mais porretas da Schwalbe ou da Continental. Pra aro 20, melhor ir de schwalbe (nada contra os continental, é q a continental não oferece boa variedade pra aro 20, já pros aro 26 e 700, tranquilo).

Clebson Melo escreveu:
André Pasqualini: tive a enorme satisfação de conhecer André e Luciana quando estiveram de férias aqui em Natal. Na época eu assinava a Bike One List sobre cicloturismo e de lá trocamos as primeiras idéias. Pelo que li no relato dele que vc citou, me parece que eles se separaram. É isso mesmo?
Acho q sim, deve ter mais de ano, já, ou bem mais. Ou, no mínimo, ficaram separados por algum tempo. Mas lembro de ter lido q era meio definitivo, ao menos na ocasião (o q é tão definitivo assim, não?)

Na época dessa viagem do Biomas, o relato da volta dele pra casa, foi emocionante. Tem no blog (aqui), mas o bom é ler numa "crescente" os posts anteriores.
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Elcio Thenorio

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MensagemAssunto: AS RAZÕES PARA IR / AS RAZÕES PARA DESISTIR   Dom Jun 01, 2014 7:07 pm

Queridos amigos,

Neste 1 de junho de 2014, por muitíssimo acaso, deparei-me com este fórum que fala sobre mim, minha bicicleta, minha viagem e os motivos que me levaram a abortá-la.  Como me senti respeitado pelas opiniões aqui postadas e como o que trago de orgulho do Projeto Rodas Livres é justamente o legado de informações que deixei, sinto-me compelido a aproveitar a ocasião para esclarecer algumas dúvidas que ficaram. Espero assim estar ajudando um pouco mais a quem quer que um dia se decida por fazer algo semelhante...

O tempo é o Senhor da razão... Então falar agora, passados quase dois anos e meio do final do projeto, acho que se torna uma atividade um pouco mais focada na realidade dos fatos, vistos hoje pelo retrovisor da História...

Em primeiro lugar, concordo com quem diz que se tratou de um clássico caso de “passo maior do que a perna”, não no sentido físico mas no sentido existencial.  Explico:  A decisão de dar uma volta ao mundo de bicicleta surgiu da seguinte maneira:  Eu tinha uma micro-empresa, até então bem sucedida, de locação de câmeras de vídeo profissionais, com escritório na Av. Paulista e uma extensa clientela.  As coisas iam bem até que passaram a ir mal... a Sony lançou uma câmera fotográfica que também filmava (a 5D), que era barata e resolvia.  Então todo mundo a comprou e meu faturamento de locador começou a cair de forma preocupante.  Somou-se a isso a internação de minha mãe, em agosto de 2010, por Alzheimer, o que acarretou em mim uma profunda depressão.  Em novembro, contra todos os prognósticos, foi meu pai quem morreu.  A partir daí despiroquei de vez, comecei a achar que nada mais na vida valia a pena e que então eu iria parar de pensar em dinheiro e fazer aquilo que eu mais gostava: viajar.
 
Comecei a fuçar na internet e me deparei com o site do Argus Saturnino (Pedalando e Educando). Apaixonei-me pela história e me decidi: iria chutar tudo e dar uma volta ao mundo de bicicleta.
Optei pela reclinada porque sentia dores na coluna lombar.  Também tinha problemas com a cervical, onde tenho instaladas 9 peças de titânio, mas a razão era a lombar.

E a partir dessa decisão parti para a realização, sendo que minha única dúvida era se deveria ou não abandonar minha mãe.  Mas convenci-me de que ela já nem me reconhecia mais, que estava em boas mãos (tenho dois irmãos e duas cunhadas que cuidavam bem dela, mesmo internada) e então fiz o que achei que deveria fazer:  cuidar da minha vida.

Li tudo o que pude: Argus Saturnino, Antônio Olinto, Arthur Simões, Danilo Perrotti Machado, Thiago Fantinatti, Valdo... (É engraçado como ler esses caras engana: fica parecendo fácil fazer o que eles fizeram).  Atentei a um conselho do Valdo: “Se for partir, parta quieto, sem alvoroço” (palavras minhas, não me lembro exatamente as dele), mas se eu achava que se pretendia conseguir algum patrocínio tinha de dizer que seria uma “volta ao mundo”, senão ninguém embarcaria (e eu pretendia cumpri-la, de fato).

Aí vendi (torrei) a empresa, comprei a bicicleta, as tralhas, montei o site, treinei o quanto pude e parti.

E a viagem transcorreu bem até a entrada do Paraguai, quando tive o primeiro revés (o tombo sem bicicleta em Cascavel nem conta...): perdi o único patrocínio financeiro que tinha, de 250 dólares mensais (o patrocinador achou que eu estava abusando, por ter ficado 1 semana parado, curtindo em Foz do Iguaçú).  Tinha ainda outro patrocínio, da Travel Ace, mas esse não dava dinheiro, só assistência médica (que, aliás, foi fundamental quando me acidentei em Cascavel).  A esse revés seguiram-se outros.

1) Descobri que meus cálculos de ficar 5 anos viajando estava subdimensionado, porque eu ficava não 1, mas 3 dias em cada lugar (para dar tempo de achar, marcar, fazer as reportagens e depois ainda editá-las e postá-las).  E então seriam não 5, mas 15 anos na estrada. Essa ideia me deixou perplexo...  Como pude errar tanto nos planos?

2) Sou um sujeito meio fechado, não faço amizades assim a torto e a direito, então seriam quinze anos de solidão.  E eu já estava de saco cheio de ficar sozinho.

3) Descobri que não gostava mesmo de acampar...  Passar o dia pedalando e ter de ir dormir melado de suor.  Ainda em São Paulo um amigo, o Geléia, insistia para que acampássemos, para eu ir pegando o jeito.  Mas como eu já sabia que não gostava, preferi deixar para acampar quando estivesse na estrada, forçado pelas circunstâncias.  Esse foi um erro fatal.

4) Concluí que estava indo à falência.  Muita gente curtia minhas postagens quase que diárias, mas ninguém punha um centavo...  Claro que ninguém tinha essa obrigação, afinal a loucura era minha...  Mas fui percebendo que em breve eu iria me tornar um “mendigo da estrada”, como foi a opção que o Valdo fez (com o absoluto respeito que tenho por ele).  Mas eu não estava preparado para isso.

5) Acho que fui na hora errada, ou seja, tudo bem lançar-se aos 22, 23 anos de idade, com a vida inteira pela frente.  E tudo bem também lançar-se aos 70, aposentado e com o que sobrou da vida inteira pela frente. Mas aos 52, em plena idade produtiva, isso nos coloca bem mais perto de pensar “O que é que estou fazendo, pedalando aqui?”

6) Realmente, ter ficado noivo ao passar o natal no Brasil não ajudou muito a continuar com o PRL.  Convenhamos que entrou areia nas engrenagens...  (o noivado durou um ano e acabou, só pra constar).

Então foram essas as minhas razões para ir e as minhas razões para desistir.  A morte da minha mãe, pouco antes daquele natal, não teve nada a ver.  Só me machucou constatar que ela, sim, não só me reconheceu como – pareceu-me – estava apenas esperando por rever-me.  Morreu 3 dias após nosso reencontro.

Nunca culpei a reclinada pelo meu insucesso.  Foi um amigo (aliás, bicicleteiro, amante e conhecedor de bicicletas) em Itararé a sugerir que a reclinada dá uma atrasada, com o que aliás concordo. Mas não o suficiente para inviabilizar o projeto. Aliás, nunca culpei nada ou ninguém, exceto o meu despreparo.

Com relação à coluna lombar, acho que – ironicamente – a reclinada é uma má decisão, piora as coisas.  Você fica sentado sobre o seu cóccix, sem alternativa de ficar em pé nos pedais para aliviá-lo e sem ter como mudar minimamente de posição.  Também recebendo todos os solavancos sem ter como amortecê-los. O resultado é uma dor danada que me obrigava frequentemente a descer, empurrar e tornar a sentir a dor dois minutos após voltar para o assento.

A questão física, por mais que em algumas tardes de sol escaldante eu tenha pensado que sucumbiria de insolação, tampouco foi o problema.  Dei conta do recado.

Pedalava só uns 60 km por dia.  Sabia que o Valdo chegava a pedalar o dobro disso, mas também sabia que ele morreu disso.  Ao menos é nisso que acredito.

E, aí, o resto vocês sabem:  depois de ter voltado para o Brasil e retornado à estrada as coisas foram perdendo o sentido, ficando estranhas... E então tive de reunir a coragem de passar pela vergonha de parar.

O Projeto Rodas Livres, do qual em 4 meses cumpri exatos 2% do programado, será eternamente tanto uma mácula quanto um orgulho na minha história pessoal.  Mácula por ter cumprido tão pouco em relação ao anunciado; e orgulho por ter feito o melhor que pude e – de quebra – ter realizado 35 reportagens sobre sustentabilidade e apresentado o Paraguai sob um prisma muito positivo a todos os que eram meus leitores.

Ao retornar, reformei sim a casa que nosso pai nos deixou e depois disso caí num vácuo profissional do qual não consegui sair até hoje.  Não consegui me recolocar, acabei com as minhas reservas financeiras e ainda estou lutando para voltar a ter uma segurança financeira como a que tinha nos tempos em que a Nova Engs (minha empresa) estava bem das pernas. No dia em que escrevo, estou vendendo a um dos meus irmãos parte da minha herança para ganhar um fôlego até as coisas se reacertarem...  Vendendo os anéis para salvar os dedos.

Um leitor resumiu muito bem o PRL num comentário feito à época: “Sua ideia do Rodas Livres foi fantástica, entretanto seu planejamento foi o inverso, e uma ideia sem boa execução acaba sendo um tiro no pé”.  Creio que ao dizer "execução" ele queria mesmo era repetir "planejamento".

Não desestimulo ninguém a fazer isso, e espero que os meus erros possam servir de guia a futuros cicloturistas.  De minha parte, não sei o dia de amanhã, sou solteiro, sem filhos e no fundo sou um aventureiro.  Se a decrepitude não me pegar primeiro, talvez eu ainda dê umas boas pedaladas em algumas estradas do mundo.

Agradeço a chance de ter podido aqui, entre amigos, abrir meu coração e sou eternamente grato aos que me ajudaram durante a viagem e a todos os que, virtualmente, serviram de esteio para tornar mais suportável a solidão.

Um abraço fraterno a todos vocês
Elcio

PS 1.:  O pneu nunca foi problema.  Estourou depois de rodar de São Paulo a Apóstoles (Argentina), via Assunção (Paraguai), carregando todo o peso do ciclista e da carga.  Numa reclinada (ao menos na minha) o pneu traseiro segura a onda praticamente sozinho e é muito mais exigido do que numa convencional.  Ele foi um herói.

PS 2.:A principal razão de eu não recomendar uma reclinada a quem quiser se aventurar dessa maneira é que ela absolutamente não é “todo terreno”.  Vai deixar o ciclista na mão no primeiro trecho de terra.  Para uma empreitada dessas, na qual não se sabe com o que se vai deparar, uma bicicleta que tope tudo é fundamental.  A reclinada só sabe andar no asfalto.

PS 3.: Se, um dia, você se decidir por fazer algo parecido (largar tudo e lançar-se), assegure-se de não estar tomando esta decisão sob a condição de algum impacto emocional.  Decisões tomadas quando se está emocionalmente abalado costumam levar a frustrações e arrependimentos (Não que eu me arrependa do que fiz, assumo e toco adiante).  Antes de dar um passo desses, conviva com a ideia por um bom tempo, deixe-a lhe provar que ela é capaz de amadurecer e que amadureceu.  Se ela passar no teste, então vá.  E uma muito boa viagem!
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ZÖHRER

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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Seg Jun 02, 2014 7:32 am

Olá Elcio,
primeiramente gostaria de agradecer por compartilhar conosco um pouquinho de sua vida principalmente a parte da aventura por vc empreitada.
Parabenizo pela coragem que teve em sair mundo afora com tantas incógnitas ainda por responder, tenham sido elas de ordem pessoal , emocional, sejam elas técnicas.
Poucos de nós aqui podem dizer que fizeram uma viagem tão longa de bicicleta quanto mais em uma reclinada.
Das pessoas do meu convívio, conheci apenas uma dezena ao longo dos muitos anos, que fizeram tal desafio.
Alguns poucos como vc quiseram dar a volta ao mundo e outros menos ambiciosos apenas longuíssimos trechos de viagem.
Acredito que a maioria de nós tem a experiência de fazer apenas várias pequenas viagens de médio e longo percurso, onde se calculavam as distâncias não em KMs , e sim em dias e semanas e em raras vezes por meses.
Eu mesmo nos vários anos de reclineiro, só pedalei por trechos mais seguros e conhecidos sem nunca ter ariscado algo mais desafiador.
Acho que o fato de fazer essas pequenas viagens de reclinada já era desafio o suficiente para mim!!
Seu relato por um lado nos conforta e por outro nos instiga.
Gostaria de frisar que, sua opinião sobre a experiência de se fazer uma viagem dessas com uma determinada bicicleta reclinada ( no caso uma Zöhrer modelo Turismo) é muito importante, principalmente dado sua perspectiva pessoal com os fatores mencionados de problemas pregresso de coluna e as limitações citadas no transitar off road com uma bicicleta super carregada de bagagem.
Somente assim podemos ter uma visão minimamente objetiva sobre as limitações e virtudes de se escolher um ou outro tipo de bicicleta, assim como poder melhorar tal modelo dentro dos seus respectivos contextos de uso.
Os outros ciclistas que conheço que fizeram empreitada semelhante, não só usavam reclinadas diferentes , mas eram pessoas diferentes, sejam relativas ao porte físico seja pela personalidade.
Sua parte final do depoimento me fez lembrar da viagem que Marcos Caribé fez em 1995.
O Marcus Caribé e Janine Brandão que saíram aqui do Rio de Janeiro e foram dar a volta ao mundo em duas reclinadas Zöhrer Under Control, também terminaram a viagem antes do esperado .Eles ficaram cerca de 3 anos na estrada e conheceram apenas alguns países da América Latina até que se separaram e voltaram.
Ele que voltou para contar a história, teve problemas parecidos como o seus, seja de pouca experiência em viagens cicloturísticas , seja usando uma reclinada em condições extremas de terreno seja esgotando o orçamento.
Ao retornar para o Rio de Janeiro, teve dificuldade em se enquadrar novamente na vida produtiva tradicional nos grandes centros e mesmo hoje ainda pensa em voltar para a estrada.
No entanto seus relatos de viagem inspiraram muitos e de diversas formas.
Pena ele não ter publicado um livro, pois o que me chamou mais atenção nos relatos dele não foram tanto as paisagens ou os lugares por onde passou, e sim a humanidade que ele encontrou durante a viagem, a dimensão do que é ser humano, a bondade e acolhimento dos humildes, a curiosidade e a generosidade das pessoas.
Claro que ele viveu muitos momentos difíceis, citando as palavras dele, " conheci Deus e o Diabo nessa aventura".
Mas para ele foi a aventura de uma vida!
Já outros como o Lauro Haber, que foi do Oiapoque até o Chuí com uma reclinada LWB de construção própria, com metas mais despretensiosas, aliadas a sua personalidade forte, foram suficiente para atingir suas metas.
Para quem não conhece a aventura do Lauro, essas metas pareciam se relacionar em parte a ele e em parte chamar a atenção da sociedade para um problema de muitos brasileiros .Ele chamou a atenção para o problema da obesidade mórbida e o direito das pessoas de fazerem pelo SUS uma operação de redução de estomago.Esse problema que aflige varias pessoas Brasil a fora, não era do conhecimento do público em geral, e o Lauro ajudou a torna-lo público e se usou como exemplo de sucesso dessa intervenção cirúrgica.
http://www.ya.com.br/
Emfim eu poderia continuar falando de vários outros aventureiros aqui, mas o que vale é lembrar que seja qual for o motivo da aventura e de suas eventuais interrupções, seja qual for a bicicleta e suas limitações o que vale é a experiência, principalmente quando ela é compartilhada com tanta generosidade.
E isso meu amigo Elcio você fez e continua fazendo, sem medo de tocar nas mazelas, mazelas que assim como você, todos nós temos na alma.
Fica aqui um grande abraço no coração,
e a admiração de um amigo reclineiro.
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Mr.Souza



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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Sab Fev 25, 2017 11:18 pm

Aqui estou eu, em meu primeiro post aqui, desenterrando um post de 3 anos atrás.
Mas pra mim foi um prazer enorme encontrar notícias sobre o PRL, também conhecer um pouco mais dos aspectos pessoais de toda essa história.
Entrei neste site por acaso, procurando informações sobre reclinada e em um único post, de uma vez resolvi várias questões.
Vou tentar separar as questões.
Sou cicloturista e acompanhava avidamente os posts do Elcio e fiquei muito triste pelo fim do projeto.
Principalmente pela sua forma de contar a história, qdo eu crescer quero ter a mesma capacidade de traduzir em texto todas as minhas histórias.
Sei o quanto é difícil desistir de uma ideia mas pra mim vale o sentimento que se você não está mais se divertindo não há porque continuar forçando.
Também tenho problema na lombar e coloquei 6 pinos há quase um ano atrás e vou voltar a pedalar em breve e o que o Elcio disse sobre a dificuldade de variar a posição me abriu os olhos, também sobre a questão da reclinada só se comportar bem no asfalto, coisa que também não tinha pensado.
Sempre ouvi dizer do conforto das reclinadas mas não tinha atentado pela limitação da quantidade de posições.
Se alguém puder me indicar um post sobre isto eu agradeço muito, sei que nosso amigo Zohrer, que é a referência neste assunto deve ter muito a falar pra este entusiasta.
No mais agradeço por aprender um pouco mais e também matar algumas questões que estavam pendentes referente ao PRL mesmo depois de todos estes anos.
Obrigado Elcio pela boa leitura proporcionada e espero que vc tenha conseguido se reestruturar nestes últimos anos.
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ZÖHRER

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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Sex Mar 03, 2017 11:08 am

Olá MR.Souza,
realmente todos lamentamos o fim do projeto do Elcio, mas ele deixou mutias experiencias e historias para contar.
Sobre as reclinadas é um assunto muito rico e vasto.Como vc deve ter percebido existe uma variedade maior de formas e projetos de bicicletas reclinadas do que se encontra no mundo das bicicletas convencionais.
As reclinadas são famosas pelo conforto ou pela velocidade que podem apresentar, mas limita-la a isso seria no mínimo simplista.
Fora as diferentes geometrias, temos os diferentes tipos de bancos que são a alma de uma boa reclinada.
Mas não é por ai que devemos começar e sim para o tipo de uso que vc vai fazer da reclinada e seu perfil de ciclista.
Vc já falou por exemplo de problemas de coluna com pinos na lombar e que pretende usar em cicloturismo.
A bicicleta usada pelo Elcio, é uma bicicleta de uso geral, mas também muito usada para cicloturismo.
Muitos pedalaram tanto ou mais que o Elcio em uma reclinada igual ou similar, relatando aspectos diferentes da experiência com a EXD/ Turismo em viagens longas nos mais diversos ambientes , pisos e climas.Logo um componente pessoal dessa experiencia tem um peso muito grande, assim como as várias e pequenas diferenças de ajuste e configuração da bicicleta que podem levar a percepções diferentes nas viagens.
Eu pessoalmente gosto de usar a EXD/Turismo em estradas de terra com muitas subidas por ser uma reclinada muito leve e boa escaladora, no entanto por ser alto, 1,87m  não fico tão confortável como alguém de 1,70m na mesma bike.Isso porque quanto mais alto mais em cima da roda traseira o ciclista fica e mais impacto ele recebe.Quando se coloca bagagem na bike ela muda novamente e a forma como se distribui o peso na bicicleta , muda seu comportamento e o nível de conforto novamente.Tem gente viajando pelo mundo com diferentes tipos de reclinada e com certeza devem ter muito a dizer sobre seu desempenho ou características nos mais diversos terrenos.Provavelmente uma das coisas que vc precisa tentar fazer , é conhecer e experimentar a maior variedade de tipos de reclinadas até escolher uma para vc.
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ninocoutinho

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MensagemAssunto: Re: Fim do Projeto Rodas Livres! Culpa da Bike?   Sex Mar 03, 2017 12:43 pm

Mr.Souza escreveu:
Sempre ouvi dizer do conforto das reclinadas mas não tinha atentado pela limitação da quantidade de posições.  

Adicionando ao que o Pedro escreveu, referente a esse assunto...

E puxando, de certa forma, sardinha pro lado das reclis...

Considero que o fato de a reclinada ser mais limitada em relação a quantidade de posições é mais crítico pra quem pratica alguma modalidade de ultraciclismo ou, mesmo, randonagem (audax). Ainda assim, a princípio, tais praticantes já estariam quase sempre melhor na reclinada do que em bikes comuns.

No cicloturismo, não sei se essa preocupação específica procede tanto, ou se coloca reclinadas em condição pior do que bikes convencionais.

Claro que depende do tipo de cicloturismo que se pratica. Estou, realmente, pensando na minha maneira de praticar. Que pode ser a sua ou não. Isso você mesmo já pode dizer, pois já disse "sou cicloturista", lá em cima.

Na minha maneira de ver, ou de fazer, quando estou cicloviajando, por mais que eu passe muitas horas por dia em cima da bicicleta, dificilmente eu passo muitas horas SEGUIDAS. Sem parar, sem descer da bicicleta. Principalmente por causa de fotos, mas também para apreciar uma paisagem, um lugar, conversar com alguém etc. Diferente dum audax, onde é comum, dependendo do planejamento, percorrer 100km sem nem colocar os pés no chão.

E aí eu acho que, pro conforto ou algum tipo de bem estar físico buscado, a tal possibilidade de descanso muscular/articular proporcionado pelas paradas frequentes é muito mais relevante do que você poder mudar de posição ENQUANTO pedala.

Se for pensar bem, que grandes mudanças de posição dá pra ter numa bicicleta comum? Passar a mão dos hoods pros drops... pedalar em pé ou sentado... pedalar com uma só mão (na reclinada é mais fácil) ou pedalar sem as duas mãos (mais difícil na recli)... mas muitas vezes a pessoa que faz isso o faz pq qualquer uma das posições possíveis lhe traz incômodo depois de muitas horas sem parar, não pq uma tá boa e a outra está ruim. Essas trocas duram poucos minutos ou, até, segundos... E, de novo, "relaxar" disso é mais efetivo numa parada, num acúmulo de paradas ao longo do dia, do que numa mudança em cima do selim.

Agora, se o tipo de cicloturismo praticado é um mais análogo ao ultraciclismo, em que a pessoa passa um dia inteiro pedalando com pouquíssimas paradas, não é que a reclinada é pior que uma bike convencional - como disse acima, acho até q é o contrário - mas é o que o Pedro falou logo no início:

ZÖHRER escreveu:
Fora as diferentes geometrias, temos os diferentes tipos de bancos que são a alma de uma boa reclinada.

É em cima do banco que a pessoa vai passar das diversas horas, então tem que ser algo muito bem escolhido e muito bem casado com o tipo físico, tipo de pedal, geometria da bicicleta, e óbvio que as distâncias pro guidão, pros pedais, têm que ser bem pensadas, testadas, etc.

Por exemplo, é comum que pessoas reclamem que bancos em posição mais em pé causem o temido recumbutt, que é um tipo de amortecimento da bunda, causado provavelmente por compressão... Pois bem, muitos reclineiros usam bancos bem em pé e você não vê NENHUMA reclamação deles pra esse tipo de sintoma. Provavelmente estes não só tem corpos diferentes, mas pode ser que não passam tantas horas seguidas em cima do banco, a ponto de chegar a sentir o recumbutt... Já os que se queixam de recumbutt pode ser os que passam muitas horas sem descer da bike e PRECISAM disso, pro tipo de pedal que fazem. Mas a espessura e densidade da espuma com certeza também é relevante, altura dos pedais, proporção músculoxgorudra da perna da pessoa, etc.

Enfim, é uma delícia falar de reclinadas, mas aconselhar algo pra alguém é espinhoso. Há muito mais o que se conversar. Quanto mais detalhes você der pra gente, mais fica possível indicar algo - ou, mesmo, contraindicar algo. Se ou quando você estiver pronto, acho que convém até abrir um tópico específico com suas dúvidas.
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